quarta-feira, 15 de julho de 2026

Reforma Agrária: Governo Federal e Grupo João Santos selam acordo que beneficia famílias em Coelho Neto

Um movimento importante para a política de reforma agrária no Maranhão foi concretizado recentemente através de um acordo firmado entre o governo federal e o Grupo João Santos. A negociação permitiu que dívidas tributárias acumuladas pelo conglomerado empresarial fossem quitadas mediante a entrega de vastas extensões de terra, que agora serão destinadas ao assentamento de famílias trabalhadoras rurais.

O impacto dessa medida é significativo: estamos falando de uma área total que supera a marca de 100 mil campos de futebol, beneficiando aproximadamente 6 mil famílias. O plano prevê a criação de dois grandes assentamentos na Paraíba e, expressivamente, 31 novos assentamentos em solo maranhense, vinculados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Coelho Neto incluída no mapa dos assentamentos.

Um detalhe de extrema relevância para a nossa região é que o município de Coelho Neto está oficialmente incluído no rol de cidades contempladas pelo acordo. A medida traz uma nova perspectiva para as famílias que aguardam a regularização e o acesso à terra no município, prometendo impulsionar o desenvolvimento local a partir da produção agrícola familiar.

O fim de um ciclo de exploração

Para lideranças do MST, como Edivan Oliveira Reis, a decisão representa uma mudança de rumo histórica no Baixo Parnaíba. Segundo Reis, o Grupo João Santos, que se estabeleceu na região entre o final da década de 70 e início dos anos 80, deixou um legado marcado pela concentração de terras e pelo impacto ambiental, especialmente no Cerrado maranhense e na derrubada de palmeiras de coco babaçu.

"Essa decisão aponta para a raiz dos problemas que ainda enfrentamos no Brasil: a concentração excessiva de terras nas mãos de poucos", avalia a liderança. Para ele, o ato do governo é uma vitória simbólica e prática da luta camponesa, que agora entra em uma nova fase: o processo burocrático para a efetiva posse da terra pelas famílias.

O papel do programa "Terra da Gente"

Toda essa operação foi viabilizada pelo programa federal "Terra da Gente". O objetivo central do programa é acelerar a negociação com empresas endividadas, transformando o passivo tributário em ativos de reforma agrária.

Cabe ressaltar que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) terá a responsabilidade direta pela organização e gestão dessas novas áreas. O movimento será o encarregado de coordenar a estruturação produtiva, o suporte técnico e a assistência às famílias que serão assentadas em Coelho Neto e nos demais municípios contemplados, assegurando que o acesso à terra cumpra seu papel social e gere desenvolvimento para as comunidades rurais.

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