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Nossa Senhora Aparecida |
O mistério de Maria pode ser considerado sob vários ângulos: primeiro, projetando-se, de imediato, sobre ela a luz de Cristo; concebe-se, assim, uma mariologia cristológica, cujo ponto de referência é a maternidade divina. Unida indissoluvelmente a Cristo pelo ato divino que fez dela Mãe de Deus, é Maria parte integrante da ordem hipostática e, por isso, goza dos privilégios que daí decorrem: conceição imaculada, virgindade perpétua, cooperação ativa na obra da Redenção, assunção ao céu em corpo e alma, mediação universal de todas as graças. Nesta perspectiva cristológica, é Maria que, num certo sentido, transcende a Igreja, e facilmente podemos compreender quanto lhe convém o título de Mãe nossa: não só de todos e de cada cristão, mas da própria Igreja.
Outros teólogos preferem estruturar a mariologia tomando como fundamento o fato de ser Maria o tipo e o modelo da Igreja: é a mariologia eclesiológica, sob cuja perspectiva Maria é imanente à Igreja, da qual é o protótipo porque aceita a Encarnação do Verbo e Lhe empresta a carne para Ele se fazer homem (maternidade divina). À semelhança de Maria, a Igreja concebe em seu seio os cristãos, nascidos virginalmente da “água e do Espírito” (Jo 3, 5). Maria, como a Igreja, é Mãe-Virgem, é imaculada, “sem mancha nem ruga” (Ef 5, 27), isenta de todo pecado, inclusive o original, concebida sem pecado. Na sua glorificação e assunção corporal, ela é o protótipo da plenitude escatológica da Igreja; e, finalmente, com sua livre aceitação da Encarnação e da Cruz, é Maria a que recebe em si os frutos da Redenção de seu divino Filho, não só no plano individual mas também coletivo, para que, com o seu sim se tornasse depositária de todas as graças salvíficas da Redenção que seriam dispensadas à Igreja.
Em mais de uma ocasião, confrontaram-se as duas tendências mariológicas; de se pronunciar por alguma delas reservou-se o Concílio Vaticano II, pois uma e outra têm larga tradição na teologia católica: o que mostra que, em vez de contrapô-las, se deve procurar integrar os valores positivos de ambas, numa mariologia completa.
Fonte: Justo Collantes, A Fé Católica – Documentos do Magistério da Igreja
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